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Cardiologia

Infecções e o esporte


Por MD PhD. Nabil Ghoarayeb | 15/06/2004 - Atualizada às 10:00

Seguindo um treinamento à risca, o atleta está preparado para a competição porém não é invencível para muitas doenças. Num inverno, mesmo não tão rigoroso, deve-se manter-se resguardado, principalmente das viroses como o resfriado comum e a gripe. Com muita freqüência as pessoas acreditam não ser nenhum empecilho ao seu desempenho físico praticar esportes resfriado ou gripado, muitas achando que suando vão melhorar mais rapidamente da leve doença e por aí vão muitas crendices populares. Na verdade é um conceito errado e perigoso.

O esportista com alguma virose não deve participar, em hipótese alguma, de provas esportivas ou atividade físicas, pois além de estar com sua condição física rebaixada, corre o risco de ter complicações no organismo, desde dores e distensões musculares, anemia até as importantes arritmias cardíacas.

Sabemos da fisiologia que o excesso de treinamento físico (mais de horas por dia) tende a diminuir a imunidade do atleta, isto é a resistência geral desse organismo. Por isso, a recomendação de acompanhamento médico para evitar esses quadros de debilidade com os exageros de treinamento. É muito comum atletas terem infecções ou outras lesões, justo antes das competições. A melhor forma de preveni-las é através de boa reeducação alimentar e um ritmo de treinamento orientado por especialistas (em geral professores de educação física ou técnicos diplomados) com uma supervisão médica. O atleta precisa ter cuidado com a síndrome do excesso de treinamento (SET) antigamente conhecida como “overtraining”, que causa insônia, irritabilidade, perda de peso e compromete o seu sistema imunológico além da leucopenia (grande diminuição dos glóbulos brancos). Esse quadro resulta em pessoas mais suscetíveis à miocardite (inflamação do músculo cardíaco – o miocárdio) que determina o surgimento das arritmias. Convém lembrar que aquelas do tipo palpitações (extrasístoles), na maiorias das vezes, são curadas sem deixar seqüelas, porém em algumas raras pessoas poderá se desenvolver uma complicação: a miocardiopatia dilatada pós-miocardite, de difícil e longo tratamento

O medo de ser cortado da equipe ou mesmo a frustração de estar de fora de uma competição, leva algumas vezes os atletas a esconderem suas virose, se arriscando a desenvolver problemas muito mais sérios. Já tive atleta que foi excluídos do grupo porque estava com determinada arritmia, porém numa analise mais acurada, verificou-se que tinha tido uma gripe dias antes, não revelada ao médico. As infecções virais não devem ser ignoradas pelos esportistas, nem pelos seus médicos.

Até breve, com muito frio !!!

Dr. Nabil Ghorayeb


Consultor Webrun sobre Cardiologia do Esporte. Especialista em Cardiologia e em Medicina do Esporte; Doutor em Cardiologia pela FMUSP. Também é chefe da Seção Médica de Cardiologia do Exercício e Esporte do Inst. Dante Pazzanese de Cardiologia – (11) 5085-6228.

Coordenador Clínico do SPORT CHECK-UP HCor - Hospital do Coração - (11) 3053-6611. Além de coordenador do Serviço de Cardiologia do Instituto Runner de Ensino e Pesquisa (Academias RUNNER). O telefone do seu outro consultório clínico é (11) 2273-7311.

Ele também é autor dos livros de medicina: O Exercício (prêmio Jabutí); Tratado de Cardiologia do Exercício e do Esporte; Métodos Diagnósticos em Cardiologia, além do livro de orientações para leigos: Ninguém Morre de Véspera. Site: www.cardioesporte.com.br

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